Artigos

António Carlos Silva

António Carlos Silva
4 de Junho, 2020
    

“Em Março de 2002, regressado ao lugar de arqueólogo na Direção Regional de Évora do IPPAR, após 6 anos na direcção do projecto de salvamento arqueológico do Alqueva, vi-me na contingência de partilhar gabinete de com o Samuel Rego, recém-licenciado em Património Cultural, contratado como colaborador eventual para apoio à gestão de monumentos afectos àquele serviço. À partida, idade, experiência e estatuto profissional, tudo nos parecia distanciar. Mas o convívio durante quase dois anos, acabaria por se revelar extremamente interessante e, julgo, mutuamente proveitoso.

A uma perspectiva da salvaguarda patrimonial enquanto serviço público a garantir pelo Estado, natural numa geração que se afirmara com o 25 de Abril, contrapunha-se uma visão aberta ao envolvimento da sociedade civil, sem preconceitos ou dogmatismos. Algo que a realidade me havia imposto na gestão do projecto do Alqueva, obrigando à contratualização privada da maioria das medidas de salvaguarda. Mas o que melhor retenho de então, é a permanente vontade do Samuel para aprender e singrar numa área profissional então considerada bloqueada. Nem que para tal fosse necessário procurar caminhos menos óbvios. E de facto, acompanhei com alguma ansiedade a sua preparação para o concurso e entrevista (com a minha antiga colega do IPPC, Simoneta Luz Afonso, então directora do Instituto Camões) para um lugar de “leitor de português no estrangeiro”. Sem surpresa, vim a saber que o Samuel fora bem sucedido e colocado na Galiza.

Com menos surpresa ainda, poucos anos depois, tomei conhecimento de que o Samuel fora chamado para exercer alto cargo no Ministério onde, poucos anos antes, debutara enquanto eventual”.

Arqueólogo