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CARLOS VARGAS

CARLOS VARGAS
4 de Junho, 2020
    

“Aproximei-me profissionalmente de Samuel Rego em 2013, quando estava a preparar com mestre João Mota o projecto plurianual de colaboração entre os teatros nacionais de Portugal, o Centro de Artes Dramáticas da Galiza e as respectivas escolas de formação superior em teatro. Naquele contexto, o conhecimento efectivo que o Samuel tinha da Galiza e dos seus agentes culturais revelou-se factor decisivo na nossa aproximação entusiasmada a uma realidade cultural que não conhecíamos bem, e acerca da qual tínhamos alguns preconceitos provavelmente inevitáveis.

No início de 2016 convidei o Samuel para integrar comigo e com Sandra Simões o conselho de administração do OPART, EPE, entidade gestora do Teatro Nacional de São Carlos, da Orquestra Sinfónica Portuguesa, da Companhia Nacional de Bailado, do Teatro Camões, do Festival ao Largo e dos Estúdios Victor Cordon. Trabalhámos juntos, nessa gigantesca empreitada, entre Fevereiro de 2016 e Julho de 2019.

Samuel Rego revelou-se possuidor de uma energia e capacidade de trabalho notáveis, as quais, a par de um optimisto e bom humor indestrutíveis e de um espírito de equipa natural, ajudaram a ultrapassar muitas dificuldades de natureza política, organizacional mas, acima de tudo, dificuldades de natureza social e relacional.

Gostava ainda de acrescentar a capacidade que o Samuel demonstrou de ler sistematicamente o contexto interno da organização e de o relacionar com as contingências externas, numa visão pragmática de conjunto das características internas da organização e das realidades e condicionantes exteriores.

Conversámos e discutimos muitas vezes à mesa, a saborear um bom prato, um certo vinho tinto ou um azeite especial provavelmente oriundo do Alentejo. Uma tradição mediterrânica que o Samuel Rego gosta de praticar com afinco.”

Professor universitário e gestor cultural